Segundo Antonio Nascimento, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e um dos instrutores do curso, o evento atende a uma alta demanda de informações.
O controle da praga na região do Submédio São Francisco está em transição do uso intensivo de agrotóxicos para o emprego de tecnologias mais eficientes e que não afetam o meio ambiente nem põe em risco a saúde dos consumidores. A principal delas é a Técnica do Inseto Estéril (TIE) que consiste em soltar nas áreas de produção grandes quantidades de machos esterilizados de moscas-das-frutas, da espécie C. capitata (Díptera: Tephritidae) para competirem com os machos selvagens da mesma espécie pela cópula com as fêmeas selvagens. Como são inférteis, não geram descendentes e levam à redução da população do inseto no campo. Os insetos são esterilizados na fase de pupas com irradiação gama 95Gy de Cobalto 60.
Esta técnica já é utilizada há décadas em países das Américas do Sul, Central e do Norte, Europa, África e Ásia, para controle de várias espécies de insetos inclusive moscas-das-frutas. No Brasil, os estudos para emprego da TIE no controle do inseto tiveram início em 2004, quando pesquisadores da Embrapa Semi-Árido importaram do Laboratório de Seibersdorf, na Áustria, ovos e pupas da linhagem estéril mais recentemente desenvolvida, a Vienna
No momento, esta linhagem é criada no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), na Embrapa Semi-Árido e na Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical e em nível industrial na Biofábrica Moscamed Brasil. A eficiência desta técnica está relacionada ao sucesso dos insetos estéreis na competição com os nativos pela copula com as fêmeas. A pesquisadora Beatriz Aguiar Jordão Paranhos, da Embrapa Semi-Árido, explica que os estudos realizados no Brasil comprovam que os machos estéreis da linhagem mutante Vienna 8, utilizada na Biofábrica Moscamed Brasil, apresentam compatibilidade sexual com as fêmeas selvagens presentes no Submédio do Vale do São Francisco, boa sobrevivência e capacidade de dispersão nos pomares irrigados da região.
Dados analisados por técnicos da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) revelam que, para a TIE ser tecnicamente viável, é preciso ocorrer no mínimo 20% de cópulas entre machos estéreis e fêmeas selvagens. Estudos promovidos na Embrapa investigam formas de aumentar o percentual de cópulas pelas moscas esterilizadas. As conclusões vão ser apresentadas durante o III Curso Nacional.
Segundo Beatriz Jordão, a liberação de uma população cinco a cem vezes maior de machos estéreis, em relação à população selvagem presente no campo, é uma forma de aumentar as chances de sucesso da técnica. Mais recentemente, os pesquisadores da Embrapa em convênio com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA-Havaí) têm estudado o óleo de gengibre (seminoquímico) como estimulante sexual para os machos estéreis. Nos testes de campo, eles observaram que, quando machos estéreis foram tratados aromaticamente com óleo de gengibre, a performance sexual foi aumentada em até 40%.
Fonte: Embrapa
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