Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) confirmaram a viabilidade do cruzamento dirigido de exemplares do pinheiro-do-paraná (Araucaria augustifolia) localizados a grande distância uns dos outros.
Segundo o coordenador do estudo, o agrônomo Flávio Zanette, do Departamento de Fitotecnia do Setor de Ciências Agrárias da UFPR, os resultados podem tornar-se uma ferramenta importante para estudos que meçam a variabilidade genética nos remanescentes de florestas com araucárias.
Até então não se tinha certeza se a evolução de araucárias em regiões distintas atrapalharia o cruzamento entre elas.
Segundo o pesquisador, o cruzamento dirigido pode ajudar a impedir a extinção do pinheiro-do-paraná, única espécie do gênero das araucárias no Brasil.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores separaram o pólen de araucárias machos encontradas em Guarapuava (PR) e em Lages (SC), ambas a mais de 250 quilômetros de distância de Curitiba, onde se encontram as fêmeas. Os botões florais da árvore fêmea foram isolados com sacos plásticos para não serem fecundados naturalmente.
O pólen foi então pulverizado sobre o botão, no período de abertura. A polinização, feita em 2005, gerou os primeiros frutos no início deste mês.
O pesquisador é pioneiro no cruzamento dirigido de araucárias. As experiências começaram em 2001, em um pinheiro plantado na cidade catarinense de Criciúma. Como não havia outras araucárias no entorno, a árvore gerava pinhas sem sementes. Dois anos após a primeira polinização controlada, foi comprovada a eficácia da técnica com a colheita dos pinhões.
No passado, a floresta ombrófila mista, ou floresta com araucárias, cobria 40% do Paraná. O intenso desmatamento praticamente dizimou a floresta, restando hoje cerca de 0,8% da cobertura original.
A intensa fragmentação isola araucárias em meio a plantações de soja ou pinus, por exemplo. De acordo com outro estudo da UFPR, o vento é capaz de carregar o pólen por mais de 2 quilômetros. Com isso, um único pinheiro, embora com grande potencial genético, pode morrer sem gerar descendentes.
O agrônomo cita estudo feito no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que apontou em 30% a consangüinidade em alguns pequenos remanescentes de araucária no estado.
Segundo Zanette, a saída para resolver o problema seria ligar os fragmentos por meio de corredores ecológicos, o que evitaria o cruzamento entre parentes.
Fonte: Agência FAPESP
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