Ela pegou algumas amostras de casca de banana e as colocou em uma assadeira tradicional, daquelas que usamos na cozinha. Colocou a forma em cima do telhado da casa dela, debaixo de sol forte, durante uma semana. Só depois desse procedimento é que ela levou o material para o laboratório do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o IPEN, para dar início ao trabalho que acaba de conquistar o primeiro lugar da categoria graduado do XXII Prêmio Jovem Cientista.
E é com a casca de banana que a pesquisadora consegue resolver três problemas de uma só vez. Cada vez mais, a energia nuclear se torna uma opção para amenizar os efeitos do aumento da temperatura no mundo, porque este tipo de energia não gera CO2, o dióxido de carbono, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Diante disso, será inevitável o aumento dos resíduos radioativos no meio ambiente e, conseqüentemente, torna-se fundamental o uso da casca de banana no tratamento desses materiais.
Outro grave problema é a indústria de fertilizantes, que, embora seja essencial à agricultura, gera quantias enormes de subprodutos ricos em metais pesados. Para se ter uma idéia, uma tonelada de fertilizante gera quase três toneladas de fosfogesso, um subproduto rico em urânio, metal altamente radioativo. Este material geralmente é estocado abaixo do solo e, com as chuvas, os metais pesados alcançam os lençóis freáticos, os lagos, os peixes, numa perigosa cadeia que vai alcançar os seres humanos. Como essas substâncias são bioacumulativas, ou seja, não são eliminadas pelo corpo humano, podem ocorrer mutações nas células e até o câncer.
Por último, a terceira solução proposta pela pesquisa de Milena está relacionada ao próprio descarte da banana em grandes quantidades, que acaba se tornando um lixo poluente. O Brasil é um dos países com maior desperdício dessa fruta. Anualmente, as perdas variam de
Para se entender como uma fruta pode resolver tanta coisa, vamos voltar ao laboratório, ao início do processo. Após pegar as cascas de banana que ficaram expostas ao sol durante uma semana, Milena as leva para o IPEN, bate tudo em um liquidificador, e usa peneiras com tamanhos fixos, de onde saem pedaços bem pequenos. O que resta é um pó, que é colocado na água com grandes quantidades de metais pesados, como o urânio. A água fica em um recipiente fechado, sob agitação constante, durante 40 minutos. Como a banana tem carga negativa e o metal carga positiva, os dois se combinam e se ligam e, quando o aparelho de agitação é desligado, o pó contaminado, ou seja, com o metal retido nele, deposita-se no fundo do recipiente e a água é retirada com uma seringa para análise. Em média, o pó consegue retirar 65% do urânio e essa mesma operação pode ser repetida várias vezes, até que sejam atingidos índices mais altos de remoção.
Milena Rodrigues Boniolo se formou em Química pelas Faculdades Oswaldo Cruz e o trabalho vencedor do XXII Prêmio Jovem Cientista é a sua dissertação do mestrado que realiza no IPEN.
Agora, ela pretende investir na produção de um filtro que vai utilizar esse pó da casca de banana, que pode ser utilizado em escala industrial. Outra solução simples que vai dar o que falar.
Outras informações sobre a pesquisa de Milena Rodrigues Boniolo podem ser obtidas pelo telefone (11) 4198-5187 / e-mail: milenaboniolo@yahoo.com.br ou pelo e-mail de sua orientadora Mitiko Yamaura: myamaura@ipen.br.
Fonte: CNPq
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