Agora que o Projeto Genoma Humano mapeou mais de 90% dos genes do homem, o desafio é descobrir alterações nesses genes que possam ser causadoras de doenças complexas. “Mas é importante destacar que não existe um gene do câncer de mama ou da hanseníase, como tem sido propagado nos últimos anos. São as variantes de um determinado gene que conferem suscetibilidade a uma doença”, disse o biólogo Milton Ozório Moraes, do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz.
Ao lado de pesquisadores do Canadá, da França, da Índia, do Vietnã e do Brasil, Moraes acaba de identificar uma possível causa da suscetibilidade à hanseníase. Trata-se de uma alteração na linfotoxina-alfa (LTa), gene que regula a resposta imune e é comum a todo ser humano. O estudo foi publicado pela revista Nature Genetics.
O grupo brasileiro vem, há dez anos, investigando genes envolvidos na resposta imune a agentes infecciosos como o bacilo de Hansen, microrganismo que causa a hanseníase. Em 2003, em colaboração com pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, a equipe realizou análises moleculares de familiares de portadores da doença, que pelo contato com os pacientes poderiam estar sujeitos a contrair a infecção.
Por meio de uma estratégia conhecida como “zoom molecular”, os cientistas localizaram uma pequena alteração no gene LTa entre os doentes estudados. Como os demais genes do DNA humano, a LTa possui dois alelos – A e C, onde a presença do alelo A indica a suscetibilidade à doença.
No total, foram avaliadas cerca de 2 mil pessoas (infectadas e saudáveis), entre brasileiros, indianos e vietnamitas. De acordo com a pesquisa, os indivíduos suscetíveis, que carregam essa alteração genética, não teriam condições de fazer a eliminação e de evitar a proliferação do bacilo nas células.
O pesquisador do IOC ressalva, no entanto, que nem todo aquele que tem essa alteração desencadeia a doença necessariamente.
Segundo Moraes, o Brasil apresenta baixo índice de crianças com hanseníase em relação aos outros países envolvidos no projeto. Para o pesquisador, a principal descoberta do trabalho foi constatar que uma mesma alteração no gene contribui para a suscetibilidade à doença em diferentes populações, de origem e de formação genética distintas. O benefício que o estudo traz seria identificar que a suscetibilidade de indivíduos em uma população de risco pode levar a um diagnóstico mais rápido e evitar que as pessoas desenvolvam a doença.
A vacina BCG é dada ao recém-nascido e confere uma certa proteção à hanseníase, uma vez que as bactérias que causam a doença e a tuberculose têm características semelhantes – daí que a BCG confere o se chama de “imunidade cruzada”. Quando diagnosticada a hanseníase, o paciente toma um coquetel de medicamentos para eliminar a bactéria.
No entanto, segundo Moraes, mais importante do que o desenvolvimento de uma vacina é a possibilidade de diagnóstico. O estudo também abre portas para a investigação de uma hipótese ainda pouco levantada pela comunidade científica: a de que alguns poucos genes podem ser responsáveis por várias e diferentes doenças. O que conferiria a propensão a uma certa patologia seria o tipo de alteração ocorrido em um determinado gene.
Além de alterações na linfotoxina-alfa, o grupo identificou alterações em genes importantes na montagem da resposta imune para a hanseníase, entre eles o HLA (antígeno leucocitário humano), o TNF (fator de necrose tumoral), a interleucina-10 (IL-10) e a parkina.
Fonte: Washington Castilhos / Agência FAPESP
Ao lado de pesquisadores do Canadá, da França, da Índia, do Vietnã e do Brasil, Moraes acaba de identificar uma possível causa da suscetibilidade à hanseníase. Trata-se de uma alteração na linfotoxina-alfa (LTa), gene que regula a resposta imune e é comum a todo ser humano. O estudo foi publicado pela revista Nature Genetics.
O grupo brasileiro vem, há dez anos, investigando genes envolvidos na resposta imune a agentes infecciosos como o bacilo de Hansen, microrganismo que causa a hanseníase. Em 2003, em colaboração com pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, a equipe realizou análises moleculares de familiares de portadores da doença, que pelo contato com os pacientes poderiam estar sujeitos a contrair a infecção.
Por meio de uma estratégia conhecida como “zoom molecular”, os cientistas localizaram uma pequena alteração no gene LTa entre os doentes estudados. Como os demais genes do DNA humano, a LTa possui dois alelos – A e C, onde a presença do alelo A indica a suscetibilidade à doença.
No total, foram avaliadas cerca de 2 mil pessoas (infectadas e saudáveis), entre brasileiros, indianos e vietnamitas. De acordo com a pesquisa, os indivíduos suscetíveis, que carregam essa alteração genética, não teriam condições de fazer a eliminação e de evitar a proliferação do bacilo nas células.
O pesquisador do IOC ressalva, no entanto, que nem todo aquele que tem essa alteração desencadeia a doença necessariamente.
Segundo Moraes, o Brasil apresenta baixo índice de crianças com hanseníase em relação aos outros países envolvidos no projeto. Para o pesquisador, a principal descoberta do trabalho foi constatar que uma mesma alteração no gene contribui para a suscetibilidade à doença em diferentes populações, de origem e de formação genética distintas. O benefício que o estudo traz seria identificar que a suscetibilidade de indivíduos em uma população de risco pode levar a um diagnóstico mais rápido e evitar que as pessoas desenvolvam a doença.
A vacina BCG é dada ao recém-nascido e confere uma certa proteção à hanseníase, uma vez que as bactérias que causam a doença e a tuberculose têm características semelhantes – daí que a BCG confere o se chama de “imunidade cruzada”. Quando diagnosticada a hanseníase, o paciente toma um coquetel de medicamentos para eliminar a bactéria.
No entanto, segundo Moraes, mais importante do que o desenvolvimento de uma vacina é a possibilidade de diagnóstico. O estudo também abre portas para a investigação de uma hipótese ainda pouco levantada pela comunidade científica: a de que alguns poucos genes podem ser responsáveis por várias e diferentes doenças. O que conferiria a propensão a uma certa patologia seria o tipo de alteração ocorrido em um determinado gene.
Além de alterações na linfotoxina-alfa, o grupo identificou alterações em genes importantes na montagem da resposta imune para a hanseníase, entre eles o HLA (antígeno leucocitário humano), o TNF (fator de necrose tumoral), a interleucina-10 (IL-10) e a parkina.
Fonte: Washington Castilhos / Agência FAPESP
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